Covid-19

Coronavírus: por que a incidencia e a letalidade sao maiores entre idosos?

O COVID-19 causa sintomas leves em 80% dos casos, mas entre grupos de risco, as consequências podem ser graves e fatais

Coronavírus: por que a incidencia e a letalidade sao maiores entre idosos?

O COVID-19 causa sintomas leves em 80% dos casos, mas entre grupos de risco, as consequências podem ser graves e fatais

Proteger os idosos é uma das principais preocupações durante a pandemia de COVID-19. O novo coronavírus pode infectar qualquer pessoa e está se espalhando rapidamente por todo o planeta. Mas os riscos não são os mesmos para todos: idosos e indivíduos com condições de saúde preexistentes são os principais afetados pela consequências graves da doença. 

Em muitos casos, esses grupos precisam de cuidados intensivos e a doença pode ser fatal. O primeiro relatório sobre o coronavírus, feito pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China, mostrou que dos 72.314 casos registrados até a data de publicação do estudo, foram registrados 1.023 óbitos – o que equivale a uma taxa de mortalidade de 2,3%.

A doença não provocou nenhuma morte entre crianças até nove anos e, entre as pessoas na faixa etária dos 10 aos 39 anos, a taxa de mortalidade foi de apenas 0,2%. Por outro lado, a partir dos 60 anos, a porcentagem de óbitos começa a aumentar.

Na faixa etária dos 60 a 69 anos, a taxa é de para 3,6%, subindo para 8% entre as pessoas de 70 a 79 anos. Para os idosos de 80 anos ou mais, a porcentagem é de 14,8%. 

O World Economic Forum (WEF) também aponta que a taxa de mortalidade pelo coronavírus entre idosos acima dos 80 anos é de quase 15%. A organização considera que pessoas acima de 60 anos são as mais vulneráveis. Mas o que muda a partir dessa idade?

Razões físicas e sociais explicam o fato, como explicamos abaixo: 
 

Sistema imunológico fragilizado e doenças crônicas: os grandes vilões
 

Os idosos têm sistema imunológico mais fragilizado do que as pessoas mais novas e, portanto, são mais vulneráveis a doenças infecciosas, como o coronavírus. 

Um estudo publicado na Revista Brasileira de Alergia e Imunopatologia explica que a deterioração do sistema imunológico entre os mais velhos é explicada por um fenômeno chamado imunossenescência. Ele consiste em um estado de função imunológica desregulada, o que contribui para o aumento da suscetibilidade a infecções e doenças autoimunes, além da redução da resposta a vacinas. 

O artigo também destaca que a capacidade de renovação das células do sistema imunológico diminui com a idade. O envelhecimento provoca, ainda, reduções do número de células fabricadas pela medula óssea que são responsáveis por proteger o organismo, como 

O resultado é um estado inflamatório crônico e descontrolado do organismo, o que prejudica a capacidade de responder de forma eficiente a uma infecção viral ou bacteriana. O estado inflamatório pode, ainda, gerar uma proliferação de bactérias no pulmão, provocando dificuldades respiratórias.

Soma-se a isso o fato de os idosos terem mais chances de apresentar doenças crônicas, como as cardíacas, renais ou diabetes, o que enfraquece a capacidade do corpo de combater infecções.

Por fim, devido ao estado de saúde mais fragilizado, pessoas mais velhas tendem a visitar clínicas e hospitais com frequência, onde podem haver pacientes infectados pelo COVID-19. 
 

As condições sociais dos idosos 

 

Quanto às razões sociais que fazem dos idosos as vítimas preferenciais do coronavírus, o WEF aponta que, em muitos países, é mais provável que idosos vivam em casas de repouso, locais onde há maior risco de infecção.  

 

Quando vivem sozinhos, estão em risco de enfrentar desafios relacionados ao isolamento ou pouca mobilidade. Por estarem isolados, podem obter pouca informação sobre como prevenir a doença ou sobre o que fazer em caso de quarentena.  

 

Para completar o cenário, em muitos países, idosos sobrevivem a partir de uma aposentadoria insuficiente, o que torna mais difícil a compra de alimentos saudáveis, medicamentos e outros mantimentos para cuidarem da saúde.  

 

 

Como cuidar dos mais velhos
 

Idosos precisam seguir as mesmas recomendações que os demais, como lavar as mãos com água e sabão com frequência, usar álcool gel 70% e evitar aglomerações. Os conselhos são os mesmos para todos, mas como os mais velhos são um grupo vulnerável, as atenções devem ser redobradas.

O World Economic Forum dá algumas dicas aos idosos:

Praticar o distanciamento social, evitando receber visitantes a menos que seja absolutamente necessário. Se precisar de ajudar com as compras do mês, por exemplo, é melhor contar com a ajuda de alguém saudável e de preferência sem filhos, pois pais de crianças podem ser portadores assintomáticos da doença.

Sair de casa quando for absolutamente necessário. Se necessário, pedir ajuda aos vizinhos para que reabasteçam a dispensa e comprem os medicamentos dos quais necessita.

Se precisar sair, evitar aglomerações, não apertar as mãos ou abraçar outras pessoas. Manter uma distância de pelo menos um metro e meio de outros indivíduos e lavar as mãos quando voltar para casa. 

Mas, se você não é idoso e quer protegê-los, evite contato próximo com eles sempre que possível. Afinal, mesmo sem sintomas, é possível ser portador da doença e transmiti-la para grupos de risco.

Além disso, encontre meios de manter os mais velhos informados sobre as formas de prevenção e cheque regularmente se estão doentes. Se necessário, crie mecanismos para garantir que eles tenham acesso a tudo o que precisam, como frutas, legumes e medicamentos. Por fim, o idoso também precisa saber o que fazer quando apresentar algum sintoma. 

Informação e prevenção são as palavras-chaves para enfrentar a pandemia do coronavírus! 

Gostou desse conteúdo?

Referências:




Rosana C. Agondi, Luiz V. Rizzo, Jorge Kalil et al. Imunossenescência. 0103-2259/12/35-05/169 Rev. bras. alerg. imunopatol. 2012.



Leia Também